Missão Regan, médio
Éris - Medium mission (Regan Black)
A deusa não confiava em semideuses e isso era comprovado, ela os achava minúsculos demais perante seus poderes, mas, vezes ou outras necessitava daqueles pequenos seres para realizar missões que sua divindade não permitia.
Na maioria das vezes era porque envolvia mortes de criaturas muito inferiores.
Ela se sentou, pernas cruzadas enquanto seus olhos encaravam o nada. Tinha requisitado a presença do filho de Thanatos para si, ele foi o escolhido por ela para dar seguimento à missão. Quando ele entrou, levemente afobado, e se sentou perante a senhora do caos, fora impossível a loira não fazer cara de desgosto.
Não que não gostasse deles, mas por ela, era fácil resolver aquela questão.
— Olá, Black, como vai? — Perguntou em falsa educação e se inclinou levemente na cadeira, mantendo o olhar firme. — Preste bem atenção, vou direto ao ponto. Eu exagerei na brincadeira e a coruja de Atena foi capturada por uma gangue meia boca de italianos. São muitos e ela geralmente está sofrendo guarda por mais de cem homens. É simplesmente chegar e salvar ela, não falhe.
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1 - A coruja está presa no subsolo de um prédio no centro de Los Angeles, você tem a localização.
2 - Perante a coruja, nada se esconde e nenhum poder funciona dentro do local onde ela está.
3 - Mesmo sendo alguém que vá salvá-la, ela não sabe e não vai mentir. Nem para salvar a própria pele, sim, ela fala e feia alertas a coisas diferentes.
4 - Você não tem poderes dentro da sala onde ela está presa, cuidado!
5 - você será capturado de primeira, a missão de fato é saber como fugir deles e levar a coruja.
6 - vinte dias para a entrega.
7 - Fora das dependências de onde a coruja está, todos os poderes e armas estão liberados, dentro da sala apenas as armas.


Parte 2
Regan sabia que não podia sair sem a coruja. Ela era a chave de tudo. A missão era clara: levá-la de volta a Éris, mesmo que isso me custasse a vida. Mas a gangue não facilitaria a fuga, e ele precisaria lutar se quisesse ter alguma chance de sair vivo, já que a coruja inibia qualquer tipo de poder.
Mas Regan tinha o tempo contra ele.
Ao anoitecer o rapaz voltou ao prédio usando as sombras para chegar até mais próxima a sala da coruja.
- Eu só consigo ir até aqui, passou disso meus poderes não são mais úteis
🦇💭 - Certo, Garoto. Vamos com calma. É só uma coruja que inibe poderes e são só mais de cem homens armados.
- Isso é você tentando me animar ?
🦇💭 - sim, alguém precisa pensar positivo nessa equipe.
Regan passou pelos corredores em completo silêncio, como se estivesse pisando em ovos. Adentrou novamente a sala e se escondeu em um canto escuro. A coruja ainda pousava dentro da gaiola sobre a mesa branca no centro da sala. A sala estava cercada por câmeras por todos os lados
🦇💭 - Está preparado ?
- Eu nasci pronto, Lilith
Ele a observou por um momento, tentando se lembrar de tudo o que sabia sobre a criatura. Sabia que sua presença anulava poderes, mas Regan ainda tinha seus reflexos e habilidades de combate, e isso seria o suficiente por agora.
Com um movimento rápido, Lilith sobrevoou a gaiola a abrindo sem que as câmeras percebessem e voltou a se esconder no teto da sala. E por incrível que pareça, dessa vez ela ficou quieta, observando-os com seus olhos grandes e brilhantes, como se soubesse o que acontecia. Mas Regan não tinha tempo para perguntas. Ele correu e agarrou a criatura com firmeza, mantendo-a contra o peito enquanto se dirigia para a janela quebrada.
- Agora ou nunca -- murmurou para si mesmo, já sentindo o peso da coruja em suas mãos.
Mas antes que ele pudesse dar o último passo para a escadaria, os primeiros sons de gritos e passos apressados ecoaram na sala. As câmeras já haviam o denunciado. Regan precisava de um jeito de afastá-los e continuar seu caminho.
Logo, dois italianos surgiram na sua frente, armados com bastões de ferro e facas. O líder, aquele com a cicatriz, estava logo atrás deles, vociferando ordens para que parassem Regan de qualquer maneira.
- Você acha que vai fugir com ela, garoto? - O homem com a cicatriz gritou - Eu vou te matar.
Regan não perdeu tempo. Com a coruja firmemente pressionada contra seu peito, ele deu um passo à frente, sentindo a adrenalina subindo. O primeiro dos italianos tentou golpear Regan com o bastão de ferro, mas ele se abaixou com agilidade, esquivando-se da investida. Num movimento fluido, Regan agarrou o braço do homem e o torceu, fazendo-o perder o equilíbrio e cair no chão com um grito de dor.
O segundo homem tentou atacar com uma faca, mas Regan já estava pronto. Com um rápido movimento, ele se jogou para o lado, evitando o golpe, e com um soco direto no estômago, derrubou o segundo italiano, deixando-o atordoado no chão.
Mas o líder da gangue, furioso, já estava ali, brandindo um facão e avançando em sua direção. Regan sabia que não tinha muito tempo. Ele precisava terminar o que começou e escapar antes que mais homens chegassem.
Com a coruja segura contra seu peito, ele se preparou para a luta. O homem com a cicatriz avançou, cortando o ar com o facão. Regan se esquivou mais uma vez, sentindo a lâmina passar perto de sua pele. Ele usou sua vantagem de agilidade para desarmar o homem, dando-lhe um golpe certeiro no pescoço, deixando o facão cair no chão.
Sem parar para descansar, Regan pegou o facão e o usou para cortar as cordas que eles haviam colocado que prendiam a janela. Ele não podia perder tempo. Quando a janela estava aberta o suficiente para passar, ele sentiu o impulso de correr. O peso da coruja ainda o incomodava, mas ele sabia que ela era sua única chance de completar a missão.
De repente, mais italianos apareceram no campo de visão. Regan não hesitou. Ele saltou pela janela, usando o impulso para subir com rapidez. Seus pés tocaram o chão com força, e ele correu subindo os degraus em disparada.
Ao sair do prédio, com mais de Cem homens armados na sua cola. Regan seguiu para A Floresta Nacional de Angeles que era uma área florestal localizada no centro de Los Angeles.
- Vai ser um jogo de gato e rato
Regan disse a Lilith que voava ao seu lado sentindo o vento frio cortar suas asas enquanto voava com agilidade. Os passos pesados dos italianos ecoando atrás deles. E Regan só precisava ganhar tempo até encontrar um lugar seguro. Agora ele tinha a coruja e sua vida estava mais uma vez em jogo.
Regan correu pela floresta, com a coruja firme contra seu peito. Seus músculos estavam ardendo, seu corpo exausto, mas a adrenalina o mantinha alerta. Os italianos estavam atrás dele, e o som das botas pesadas esmagando folhas secas ecoava pela floresta. Ele não tinha mais seus poderes para se proteger, apenas suas armas e suas habilidades de combate. E, por enquanto, isso teria que ser o suficiente.
Ele sabia que a perseguição era apenas uma questão de tempo até que eles o alcançassem. Regan olhou para os lados, procurando algum lugar onde pudesse se esconder ou emboscar os inimigos. O silêncio da floresta era quase abafado pelos gritos dos homens atrás dele, que já estavam começando a cercá-lo.
De repente, ele se inclinou para a esquerda, entrando em uma pequena clareira coberta de arbustos. Ele se escondeu rapidamente atrás de uma árvore, tentando controlar a respiração. A coruja, ainda em seus braços, se mantinha estranhamente calma. Regan não podia perder tempo pensando nisso. Ele precisava lutar para sobreviver.
Os homens passaram pela clareira, seus passos rápidos e pesados, sem perceberem que Regan ainda estava ali, observando-os pela lateral. Ele podia ouvir as conversas baixas e as ordens do líder, o homem com a cicatriz, que continuava comandando a busca.
- Ele não pode ter ido muito longe. Encontrarem ele e terminem o trabalho - disse o líder, com a voz cortante.
Regan sentiu a raiva subir dentro de si, mas manteve a calma. Ele sabia que não poderia ficar parado. Precisava despistá-los, ou a luta seria inevitável.
Com um movimento rápido, ele correu em direção a um rio estreito que cortava a floresta. Ele não tinha muito tempo para atravessar, mas sabia que os homens teriam dificuldade em atravessar o rio sem se molharem ou perderem tempo. Quando chegou à beira, ele se agachou e olhou para trás. Os italianos estavam se aproximando.
Regan fez um movimento brusco, arremessando uma pedra contra uma árvore a alguns metros, fazendo um barulho que os atraiu para o lado oposto. Ele aproveitou a distração para se esconder entre as pedras e arbustos próximos ao rio, onde os homens não podiam vê-lo.
A tática funcionou por um momento, mas logo, os italianos começaram a vasculhar mais cuidadosamente. Eles sabiam que Regan estava perto. O som das vozes se aproximava novamente. Regan não podia esperar mais.
Quando o líder e dois outros homens chegaram à beira do rio, ele saltou de sua posição, correndo para trás de uma árvore e agachando-se com rapidez. O primeiro homem, distraído, foi pego de surpresa. Regan o atacou com um golpe direto no pescoço, derrubando-o com um movimento rápido. O segundo tentou sacar a faca, mas Regan já estava em cima dele, desarmando-o com um golpe preciso e torcendo o braço para trás, fazendo o homem gritar de dor.
O líder da gangue, furioso, avançou com uma faca grande. Regan, com a coruja ainda apertada contra seu peito, usou o facão que havia pegado anteriormente para bloquear o golpe. Eles se enfrentaram por alguns segundos, com o facão de Regan e a lâmina do líder se cruzando no ar, faíscas voando.
- Você acha que pode me derrotar, garoto? - O líder riu, cheio de confiança.
Mas Regan não respondeu. Ele se concentrou em cada movimento, cada golpe, e, quando o líder tentou atacar novamente, Regan usou sua velocidade para desviar e, em um movimento rápido, acertou o estômago do homem com o cabo do facão. O líder se curvou, atordoado, e Regan aproveitou para empurrá-lo para o chão com um golpe final.
Regan não perdeu tempo com mais palavras. Ele sabia que a luta não estava ganha. A coruja continuava a incomodá-lo, mas ele sabia que a única coisa que importava agora era escapar.
Ele levantou-se rapidamente, respirando pesadamente, e olhou ao redor. Ele sabia que mais homens viriam. Ele não podia esperar para ver o que aconteceria a seguir.
De repente, ele ouviu passos rápidos atrás dele e se escondeu em um buraco na vegetação. Ele estava atrás de uma rocha gigante, a única cobertura que poderia protegê-lo por alguns minutos. Ele viu os outros italianos se aproximando, suas lanternas iluminando a floresta. Regan estava cansado, mas sua mente estava afiada, sua vontade de sobreviver era ainda mais forte.
Os italianos passaram por ele, sem perceber sua presença. Regan se manteve imóvel, esperando. Quando o último dos perseguidores passou, ele correu com tudo, aproveitando a velocidade e o terreno.
Com cada passo, ele sentiu a tensão se dissipando. Finalmente, após o que pareceu uma eternidade, ele se afastou do alcance dos italianos. Ele estava ofegante, a coruja ainda apertada contra seu peito. Mas ele sabia que, por agora, havia conseguido.
Ele olhou para trás, para a floresta, com um misto de alívio e apreensão. Não havia tempo para descansar. A missão ainda estava em andamento. Ele precisava continuar.
Ainda sem poderes, mas mais determinado do que nunca, Regan se afastou da floresta caminhando entre os prédios, deixando os italianos para trás e avançando para o próximo desafio.
A missão continuava.
A viagem de volta foi torturante. Regan sentia o peso da coruja ainda pressionado contra seu peito, como um lembrete constante da missão que finalmente estava concluindo. Ele havia saido com vida, superado os italianos e enfrentado seu limite físico e mental. Mas a missão não estava completa até que ele devolvesse a coruja para Éris.
E agora sem poderes, ele tinha que voltar do jeito nada convencional. Regan caminhou até a parada de ônibus mais próxima e ali subiu naquela máquina duvidosa que atravessava a cidade, sempre com a sensação de estar sendo observado.
🦇💭 - Ônibus??? Sério ?
- Você tinha uma ideia melhor ? Por sorte, pelo horário está vazio. E ninguém irá me olhar estranho por falar com um morcego e estar abraçado com uma coruja zoiuda.
Seus músculos estavam exaustos, mas sua determinação era mais forte do que qualquer dor. Ele sabia que, quando entregasse a coruja, tudo isso teria valido a pena.
Finalmente, após cruzar LA. E voltar para o seu ponto de partida, Regan se pôs a caminhar novamente. O refugio que Eris havia lhe dado a localização para entregar a coruja, era uma caverna oculta nas montanhas, longe dos olhos curiosos. O lugar era sombrio, com pedras lisas e um eco profundo, como se o próprio ambiente estivesse esperando por algo.
Regan chegou ao seu destino junto aos primeiros raios solares. Ele adentrou a caverna, a presença de Éris se fez sentir antes mesmo de vê-la. Sua aura, fria e imponente, parecia impregnar o ar. A deusa estava sentada em um trono simples, mas magnífico, envolta por sombras e mistério. Seus olhos se fixaram em Regan assim que ele entrou.
- Você demorou mais do que eu esperava - disse Éris, sua voz suave, mas cheia de autoridade.
Regan se aproximou, ainda com a coruja em mãos.
- Mas eu a trouxe, como foi pedido.
Ele estendeu a coruja em suas mãos, e Éris a observou por um momento, como se estivesse avaliando algo além do físico.
- Muito bem, semideus. Você cumpriu sua missão.
Ela pegou a coruja com a mesma delicadeza com que Regan a carregava, e, no instante em que suas mãos tocaram o animal, um brilho dourado emitiu-se de seus olhos. A coruja, antes imóvel, pareceu despertar, suas penas brilhando por um momento antes de se aquietar novamente.
Regan não disse nada, mas sentiu um pequeno alívio. A missão estava completa. Ele havia entregado a coruja sã e salva, e agora poderia voltar à sua vida. Ou pelo menos, era o que pensava.
Éris olhou para ele por mais um momento, e, então, com um gesto de sua mão, fez com que a caverna se iluminasse de maneira diferente.
- Vá, então. Sua jornada de volta ao Acampamento Meio-Sangue o espera. Você já provou seu valor.
Regan fez uma reverência respeitosa, sentindo que havia cumprido seu propósito.
- Até logo, Éris.
Com um último olhar para a deusa, Regan se virou e saiu da caverna, a coruja agora em boas mãos. Ele sabia que sua próxima missão seria retornar ao Acampamento, mas, por enquanto, sentia um momento de vitória. Ele estava pronto para voltar à sua rotina de semideus.
A viagem de volta ao Acampamento Meio-Sangue foi mais tranquila. Ele estava exausto, mas a sensação de dever cumprido o ajudava a suportar o cansaço. Com Lilith em seu ombro, voando ao seu redor, ele sentiu a companhia reconfortante da pequena morcega.
🦇💭 - Você fez bem, Garoto. Vamos voltar e descansar. Você merece.
Regan sorriu levemente para Lilith, sentindo sua presença como um apoio constante. Juntos, finalmente chegaram ao Acampamento Meio-Sangue, e Regan, apesar de todos os desafios, sentiu uma sensação de paz enquanto pisava no solo familiar.
O jogo de rouba-bandeira, suas batalhas e suas futuras aventuras o aguardavam e claro Lilach. A falta da garota realmente se fez em seus pensamentos. Mas por agora, Regan estava pronto para descansar e recuperar sua energia. Ele sabia que, independentemente do que acontecesse, sempre haveria algo novo e inesperado no horizonte.
Mas, por enquanto, ele estava em casa.